Indonésia, as ilhas das maravilhas

Chegámos a Yogyakarta e a primeira impressão que tivemos não podia ser melhor: o aeroporto da cidade era envolvido por um clima e cenário exótico que misturava o verde das árvores com o laranja da terra, com um toque citadino de casas, pequenas e precárias, que se amontoavam umas nas outras.

Incluímos esta cidade na nossa passagem pela Indonésia por nesta ainda se poder encontrar a essência do país sem ser influenciada pelo turismo. Por isso mesmo, calçámos as sapatilhas e lá fomos nós entranharmo-nos na cidade. Percorremos mercados, lojas e ruas, falámos com pessoas e tirámos centenas de fotografias. No final do dia comemos (mais uma vez) os tradicionais noodles, à beira da estrada, e voltámos ao hostel. No dia seguinte, e depois de uma viagem de 13h, numa carrinha com um ar condicionado de potência questionável, chegámos a Bromo.

Nesta pequena vila, à qual chegámos já de noite, existiam poucos hotéis e todos eles se encontravam cheios. Sendo assim, juntamente com dois franceses e dois holandeses, partimos à procura de uma casa para alugar. Encontrámos, jantámos e passado 6 horas (4 da manhã) já estávamos a acordar e a partir, uma vez mais em grupo, numa caminhada de uma hora e meia em direção ao miradouro da montanha. De lá vimos o nascer do sol e o arrastar do nevoeiro de onde emergiam os cones vulcânicos. Ainda durante essa manhã fomos espreitar as respectivas crateras vulcânica. E, depois do merecido pequeno-almoço, arrancámos para o próximo vulcão – Igen. Durante a viagem conhecemos o Evandro e a Fernanda, dois brasileiros que nos acompanharam até Bali e com os quais nos divertimos a explorar as divergências linguísticas dos dois países, a discutir o acordo ortográfico e a falar de samba e tradições.

No dia seguinte de manhã a história repetia-se e às 5 da manhã já estávamos os quatro a subir a encosta vulcânica. Aquele vulcão já não era meramente turístico, era sim um local de exploração de enxofre com uma história quotidiana por trás: todos os dias, dezenas de trabalhadores subiam o cone vulcânico, desciam à cratera, apanhavam enxofre, carregavam esses 50kg às costas até ao topo da cratera, desciam o vulcão e por fim repetiam o processo. Tudo isto mergulhados num clima tóxico e danoso, por caminhos perigosos e atribulados. Dizem que “aqueles trabalhadores não envelhecem, simplesmente morrem por fazer aquilo diariamente”. Acreditem que, a nós, que íamos sem peso às costas, nos custou imenso a fazer o percurso uma vez, nem sequer dá para imaginar o esforço que aqueles homens fazem para levar o “pão para casa”.

Finalmente, depois de dois dias tão cansativos, nada podia ser melhor do que a próxima paragem, Bali! Esta ilha tinha tudo que era preciso para descansar e passar mais umas boas férias – praia, sol e atividade noturna. Foi o que fizemos e até surfámos (neste paraíso do surf mundial) e, modéstia à parte, ficámos uns profissionais, mas as ondas eram pequeninas e não deu para fazer os truques mais elaborados, uma pena… Jantámos sempre no mesmo sítio – Sky Garden. Nós, o nosso amigo espanhol (ou basco, como ele preferia dizer) com quem andámos sempre, e uma grande parte dos turistas que estavam naquela zona da Kuta Beach, pois era de borla! Difícil de acreditar, então nós desenvolvemos: bebíamos e comíamos o que queríamos das 21h às 22h e não pagávamos nada por isso, nem à entrada nem à saída – o famoso “almoço grátis” – grandes noites…

Mas claro que não podíamos deixar de ir conhecer, também aqui, o interior da ilha onde nos perdemos pelo meio dos campos de cereais e da população.

Resumindo, fomos muito bem recebidos na Indonésia. As pessoas foram sempre atenciosas e simpáticas, oferecendo toda a sua cultura a quem a quisesse penetrar com os olhos de quem gosta da diferença. A Indonésia, para nós, foi uma grande surpresa e sem dúvida um dos pontos altos desta viagem que se encontra na sua reta final.

Temos saudades de Portugal!

Selamat tinggal, teman!

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5 respostas a Indonésia, as ilhas das maravilhas

  1. Manuela Marques diz:

    Aparentemente ausente não deixei de ler as vossas crónicas que me fizeram vibrar e sonhar.
    Revivi Macau, Hongkong e o sul da China.
    Invejei, sinto vergonha de o confessar, a vossa passagem pelo Vietnam e pela India, países que fizeram parte dos meus planos mas onde, penso, já nunca irei.
    Horrorizei-me com o ritual da morte da cobra, cujo vídeo não vi mas imaginei,
    Senti o vosso orgulho de “ser português” em terras longínquas onde encontraram vestígios da nossa passagem.
    Fascinaram-me as vossas experiências com as gentes locais.
    Admirei a vossa coragem de se aventurarem por sítios, alguns deles, talvez, pouco recomendáveis.
    Fizeram-me sentir o prazer de nadar, não digo “surfar” em águas mornas de praias paradisíacas.
    Estão na recta final da vossa aventura, férias, mas grande experiência de vida. Guardarão certamente muitas e boas recordações mas também alguns fantasmas. Penso que eles reforçarão o vosso sonho, estou certa de que o têm, de contribuir para um mundo melhor, mais justo.
    Que bom regressar ao vosso refúgio! Embora nos sintamos cidadãos do mundo há sempre uma “aldeia” onde nos apetece regressar.
    Um beijinho com toda a minha amizade.

  2. que maravilha devem ser essas paisagens se o PASSOS COELHO não me tirasse o subsídio de férias ainda me aventurava a ir (com o meu ambrózio) é claro ,divirtam-se que o tempo já é pouco Beijinhos

  3. Isabel Azevedo diz:

    Pelos relatos feitos nesta crónica, pelas fotos que têm no vosso face, eu se um dia fizer um “gapyear sénior” vou com certeza incluir na minha rota a Indonésia.
    Saboreiem bem estes últimos dias de gapyearanos, que vão ser marcantes por serem os da reta final desta aventura.
    Bjs

  4. Jorge Figueiredo diz:

    Boas caros aventureiros
    A crónica permite-nos perceber parte do vosso estado de espirito, aparente e factualmente contraditório: a nostalgia da aproximação do fim mistura-se com um sentimento bem português, a que chamamos saudade.
    Começo a acreditar que quando vos fizerem a “inevitável” pergunta, qual foi o lugar ou a situação que mais vos marcou pela positiva, a resposta vai seguramente ser muito complicada.
    Continuem a divertir-se, divertindo-nos.

  5. JPD diz:

    Gostei mais uma vez. Mas fiquei com água na boca.
    Continuação de boas viagens.
    Abraço

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