O “réveillon” dos Gaps na Tailândia

Chegámos à Tailândia e encontrámos o país em guerra. Foi terrível: jatos de água a serem disparados de armas gigantescas, bombas artesanais a rebentarem no centro das multidões, chão alagado de vestígios de guerra, grandes arcas de gelo para paralisar a resposta do inimigo e claro, o temível farináceo que dizimava qualquer hipótese de identificar o adversário. Mas, felizmente, temos sorte de poder estar aqui vivos para vos relatarmos todos estes factos…

Claro que há aqui algum exagero literário, mas o cenário era mais ou menos este. A este festival anual de água dá-se o nome de Songkran e o mesmo celebrou as entradas no ano 2555 do calendário tradicional tailandês. Foi nele que mergulhámos logo no primeiro dia. Comprámos duas bisnagas e lá fomos nós para a rua de Khao San, no centro da cidade, que estava fechada ao trânsito e repleta de pessoas igualmente armadas e prontas para a folia aquática. A festa funcionava deste modo: as pessoas molhavam-se umas às outras, espalhavam farinha na cara uns dos outros, dançavam, bebiam e depois iam-se embora, alguns, porque as ruas estavam sempre cheias. Cada vez que um batalhão se ia embora, logo chegava outro já com energias recarregadas. Esta festa dura 5 dias, 3 dos quais são festejados durante as 24 horas do dia.

No segundo dia, fomos convidados a integrar uma operação especial de investida contra potenciais festejantes em euforia. Então subimos para uma carrinha de caixa aberta, onde já existia um bidão cheio de água para os “recarregamentos” e um “pequeno” balde com farinha húmida. Depois da estratégia delineada, arrancámos em direção ao centro da cidade. Durante o percurso parámos em dezenas de focos de guerra, a maioria constituídos por 4 ou 5 miúdos com alguns adultos à mistura que já esperavam a chegada de carrinhas deste género ou de pessoas que passeassem na rua. Pela estrada fora, haviam também colunas e pontos de abastecimento, inclusive de bombeiros que não ficaram de fora da brincadeira. Toda a gente entrava, mesmo idosos e polícias, e eram poucos os que se chateavam por levar com água na cara.  Resumindo, aqueles 3 dias foram uma loucura, sempre molhados e em festas, noite e dia sempre a dançar!

Mudando de assunto. A Tailândia é considerada o maior destino turístico sexual do mundo, mas esta foi uma investigação que resolvemos levar a cabo sem o uso da experimentação (devemos salvaguardar), porém não vos poderíamos deixar de falar do tema. Aqui há muita prostituição quer de mulheres, de homens ou mesmo de transexuais (os chamadas “ladyboys”) e infelizmente, em redes mais organizadas, de crianças “virgens”, vindas do norte do país, e que são vendidas pelas próprias famílias em troco de pequenas quantias, que lhes vão garantindo a sobrevivência. As crianças são escravizadas depois até aos 25 anos que é quando já são consideradas velhas para o cliente, ou então quando apanham SIDA ou ficam doentes (já que sai mais “barato” arranjar outra do que tratar). Uma realidade difícil de acreditar, não é? Foram-nos oferecendo, ao longo da nossa estadia nesta cidade, um pouco de tudo, inclusive o “ping pong show”, a maior atracão sexual do país.

O país é, de resto, muito bonito e organizado. Tem uma organização turística muito bem pensada e nos locais mais turísticos ostenta uma riqueza que não encontrámos na maioria dos países por onde passámos. Contudo, não nos podemos esquecer da pobreza, que ainda continua a ser uma “dor de cabeça” desta monarquia.

Quanto à cultura, do pouco que vos podemos falar porque o que vimos foi uma cultura de festa, pareceu-nos muito simpática e aberta, uma cultura ainda com muitas tradições. 

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3 respostas a O “réveillon” dos Gaps na Tailândia

  1. Isabel dos Santos diz:

    Parabéns pela vossa Crónica, gostei do que vi e li á exceção do “turismo sexual”, não é novidade porque já sabia que existia, no entanto frisaram certos pormenores do mesmo, que desconhecia!!!Interessante também o ritual da água…muitas cores, muita água, muita brincadeira, foi bom para vocês clarearem a mente e o corpo! Continuem a colorir- nos com novos desafios! Até já.

  2. A vossa crónica como sempre fantástica as imagens são ilucidativas do divertimento que vocês partilharam , deve ter sido uma loucura ainda bem que tiveram muitto juizinho não se meteram em folias que podia ter conseqências graves, divirtam-se saudávelmente ,Aproveitem!!!!!!! beijinhos com muitas saudade para os dois lobos aventureiros como diz a TIA XICA

  3. Cristina Saraiva diz:

    Para não variar gostei imenso, então aquela festa aquática realmente deve ter sido uma loucura, um divertimento saudável, onde se viu muito bem nos vossos rostos a expressão de ter sido mesmo brutal , tenho que confessar que fico contente e aliviada que não tenham experimentado a parte do turismo sexual, mas claro há que explicar a cultura dessa gente,até porque vocês dizem que é um país muito bonito e organizado, isso é bom, tirando a miséria que é sempre muito triste de ver, mas infelizmente é mesmo assim, continuem assim divertidos e continuação de boa viagem, beijos com saudades aos dois meus aventureiros preferidos.

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