Vietname, um museu a céu aberto

Entrámos no Vietname de autocarro e chegámos à capital, Hanói, logo de manhã. Pegámos nas mochilas e fomos de táxi até ao hostel que nos tinham aconselhado, e quando chegou a altura de pagar, a viagem de menos de 10 minutos estava a ser cobrada por um valor estrondosamente alto, 100000 dongs! Era o valor que estava no taxímetro, mas tantos zeros parecia-nos impossível. Pedimos para ele esperar uns minutos enquanto íamos trocar dinheiro, e só aí é que nos apercebemos que essa quantia enorme equivalia, na verdade, a menos que 3,5€… 

Aliviados mas ainda confusos, entrámos no hostel. Estava cheio de turistas, era grande, divertido, limpo e, melhor ainda, bastante barato! Introduzimo-nos na cidade logo nessa mesma manhã com uma walking tour que o hostel oferecia. Enquanto caminhávamos, reparámos que, de uma forma natural, a cidade misturava o urbano com o rural. Tanto víamos os carros e edifícios mais modernos como as mulheres com o seu tradicional chapéu a carregar os legumes ou o peixe. Um mix bastante curioso. A cidade parecia não parar: havia muita gente nas ruas, muitos comerciantes a venderem o seu produto, e dezenas de tasquinhas onde só se comia a tradicional sopa de noodles. Mas mais tradicional foi a cobra que fomos experimentar. 

 O processo da preparação é um bocado macabro e o Gonçalo quis ficar de fora, então foi a minha vez de me aventurar: inicialmente mostravam-nos as cobras, brincávamos com elas, enrolavam-nas aos nossos pescoços, sempre sem perigo, pois elas não mordiam. Tirámos fotos, fizemos vídeos e, depois disso, vinha o “ritual”. Esticava-se a cobra e, com uma navalha, fazia-se um corte na zona do peito, arrancava-se o coração com os dentes e engolia-se com ele ainda a bater. Tirava-se um pouco de sangue para pintar a cara e o resto ia para dentro de um copo, que depois era bebido com vodka por todos. Seguiu-se o jantar com o grupo todo de volta da mesa para as comer. Os pratos servidos foram: salada de pele de cobra, triturado de espinha e carne, almôndegas e pequenos bifinhos fritos. Bastante bom!

Ao final de dois dias migrámos para sul, para a cidade de Hoi An, onde estávamos à espera de matar o calor com a água salgada do mar, mas por causa do estado atmosférico, acabámos por não usufruir da praia – uma das muitas fantásticas que o Vietname tem pela sua extensa costa e pela qual é conhecido. Então fomos ver o centro histórico da cidade, que tinha alguma influência japonesa e se apresentou muito bem conservado. O resto do tempo foi usado para mergulhar, com a nossa sempre companheira scooter, no interior das aldeias da periferia onde encontrámos muitos camponeses e jovens, por incrível que pareça…

A última cidade por onde passámos foi Ho Chi Minh, a maior e mais populada do país. Esta, tal como Hanói, é muito semelhante a Berlim no que diz respeito ao turismo, uma vez que este está muito virado para a sua história de guerra. Aqui visitámos uns túneis subterrâneos, em que explorámos apenas 100 metros dos 250km que os comunistas escavaram para se protegerem e lutarem contra os soldados americanos, onde também passavam grande parte do seu tempo, fosse para lazer, cozinhar ou mesmo dormir. Vimos algumas das suas armadilhas engenhosamente mortíferas, algumas crateras de bombas e materiais usados nos combates. O Vietname tem uma história muito interessante, apesar de muito sangrenta e tumultuosa, mas que teve a sua importância à escala global.

O Vietname, é em suma, um ótimo sítio para visitar, para passar umas boas férias que concerteza passam por praia, por conhecer uma cultura muito viva e tradicional e pela visita de cenários de guerra. O Vietname faz lembrar um museu de história e cultura vivo e a céu aberto.

Tạm biệt, bạn tình

Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

4 respostas a Vietname, um museu a céu aberto

  1. MFA diz:

    Mais uma incursão por essas culturas tão ricas, que vocês tão bem nos sabem transportar. E atiram-se de cabeça mesmo nos rituais bem próprios (que arrojo Tiago)!
    Além de que o Vietname (e também Cambodja) são dois países que não me deixam nada indiferente…
    Aguardo assim expectante pela próxima.
    Saudades.
    MFA

  2. Jorge Figueiredo diz:

    Boas rapazes
    Definitivamente a vossa capacidade de nos surpreenderem (felizmente) não tem limites.
    Ao invés de viverem à margem todos os aspetos culturais (por mais bizarros que nos possam parecer), entranham-se propositadamente, por forma a puderem vivenciá-los em toda a sua plenitude.
    Gabo-vos a vossa entrega (deveria antes escrever coragem).
    Estou convicto que a riqueza de todas as experiências, constitui hoje e, constituirá sobretudo no amanhã um manancial enorme de saber, difícil de igualar.
    A diferença é que para a grande maioria de nós saber da existência de um país e de aspectos identitários da sua cultura, resume-se inúmeras vezes a um globo ou a um livro.
    No vosso caso podem sempre dizer através de um sorriso marcante: eu estive lá!!!
    Continuem …
    Jorge Figueiredo

  3. Gena diz:

    ” No Vietname, a cobra é um alimento muito apreciado por suas propriedades medicinais, e há restaurantes especializados no preparo do animal. A carne do réptil, dizem, é boa para a vida sexual de homens e mulheres e pode até curar a malária.” Revista “A SEMANA”
    Quanto ao resto da vossa aventura, continua perfeita! Adorei!!
    Até a proxima e já sabem, olhos bem abertos! ( não em bico)

  4. Isabel dos Santos diz:

    Parabéns, gostei do que vi e li á exceção do ritual da cobra ( não suporto repteis ),no entanto o Tiago está de parabéns!continuem a abrilhantar-nos com novos desafios! Até já.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s