Made in China

Macau, Hong Kong, Yangshuo e Nanning. Este foi o percurso que fizemos pela China. Cada uma destas paragens com a sua particularidade…

Macau – a terra dos casinos. Chegámos a Macau onde já nos esperavam a Filipa Lourenço e o José Miguel Encarnação – dois familiares meus (Gonçalo) que nos iriam hospedar na sua casa durante 5 dias. Depois de deixarmos as malas e de comermos um prato típico portuense – a bela da francesinha – levaram-nos a dar uma volta de carro por todo o território macaense que encontrámos muito desenvolvido, cheio de arranha céus e casinos gigantescos, muito cuidado e com todas as placas institucionais escritas igualmente em português. Depois deixaram-nos no centro da cidade para sermos nós próprios a descobrir a área. Logo nesse primeiro contacto nos apercebemos da imensidão de pessoas que habitam Macau, cerca de 18500 por Km2 (mais alta densidade populacional do mundo). Depois resolvemos ir para casa a pé, passando pelo meio de centenas de lojas e lojinhas de tecnologias, restaurantes e mercearias. Depois lá subimos ao 43º andar (de onde se avistavam outros tantos) onde comemos um rolinho de carne bem ocidental – já tínhamos saudades!

Nos dias seguintes não parámos de visitar monumentos e locais de interesse: fomos à igreja da Penha, ao templo de A-Má, às ruínas de São Paulo, ao forte da Guia, à casa de penhores, ao jardim de Luís de Camões, ao jardim Lou Lim leoc, às casas típicas macaenses da Taipa, etc. Destes e de outros salientamos: os casinos brutalmente grandes – dos maiores do mundo – onde ganhámos 3€ (e investimos 10) e onde se ostentava riqueza quer através de pedras preciosíssimas ou lustres, porcelanas, estatuetas ou mesmo autenticas recriações de cidades europeias como é o caso do Casino Venetian que é uma imitação fiel e leia-se “bem à escala” da cidade de Veneza, por fora e, em parte, no interior com canais, gôndolas e casas típicas daquela região de Itália; o Museu de Macau que tornou possível apreender a cultura macaense e a história e influência portuguesa da e na cidade; todas as obras portuguesas que nos encheram de orgulho pela sua beleza e importância.

E isto foi algo que nos deixou muito contentes: perceber que o processo de independência foi feito com inteligência e discussão de forma a que Macau, hoje em dia, preserve muita coisa portuguesa – comida, escolas, placas (como já havíamos referido em cima), inclusive pessoas… Nada comparado com Goa em que é mais do que evidente que o estado novo não soube lidar com a situação…

Em suma, Macau é impressionante pelo facto de, por vezes, parecer que não existem limites… para tudo!

Hong Kong – a Nova Iorque do oriente. Cosmopolita e dinâmica, super lotada e movimentada, grande e alta, moderna e desenvolvida. Mas ao mesmo tempo, e uma vez que só 20% do seu território é habitado, conserva uma imensidão de paisagens e espaços naturais. E esta sintonia é realmente fascinante… Aqui, visitámos a Times Square, Stanley, Aberdeen, o Peak, o Buda de Ngong Ping e a vila piscatória de TaiO.

Hong Kong à noite ganha uma nova vida, as pessoas despem os fatos e as gravatas e saem de casa para o convívio nos bares e nas ruas (um bocado ao jeito do nosso Bairro Alto). Mesmo os edifícios mudam de roupa e passam de espelhados a brilhantes e coloridos através das milhares de luzes que os descrevem. Nós também fomos à rua, a uma festa dos Sevens – um festival anual de rugby em Hong Kong, onde Portugal também participa. As ruas estavam a abarrotar com as pessoas mascaradas, divertidas e “alegres”, todas a beber a sua cerveja e a conviver – também nós fomos buscar a nossa. Qual não foi o nosso espanto quando, aí,  encontrámos um grupo de portugueses com uns amigos e nos juntámos a eles para a festa. O resto da noite permanecerá em segredo – podemos apenas dizer que foi fantástica…

No dia seguinte estávamos a sair de Hong Kong para migrar para a verdadeira China…

Yangshuo- uma China mais chinesa.

Macau e Hong Kong são duas Regiões Administrativa Especiais, por isso gozam de privilégios reservados àquelas zonas nomeadamente no que diz respeito à sua abertura ao mundo. Veja-se que, por exemplo, no resto da China não se pode aceder à maioria das redes sociais internacionais como é o caso do Facebook, do Twitter ou mesmo do YouTube. E foi nesta China que nós quisemos mergulhar para entendermos algumas destas diferenças…

Quando estávamos a reservar hotel para Guilin, uma cidade que nos foi aconselhada por um guia turístico, uma rapariga aconselhou-nos um outro local, pequeno e rural, onde tinha estado uns dias anteriores. Dizia ser lindíssimo o que nos fez mudar de opinião e alterar o nosso destino.

Saímos do hotel de Hong Kong já com tudo escrito em chinês: “Queremos comprar dois bilhetes de autocarro de Shenzhen para Guilin”, “daqui para ali”, tudo porque no interior da China não se fala inglês como viríamos a confirmar. Mas ao final de 13 horas, lá estávamos nós a chegar ao hotel de Yangshuo de onde se avistavam as montanhas de altos declives cheias de vegetação, todas elas sobrepostas umas às outras.

Passámos pouco tempo na vila, optámos por ir de bicicleta ou de scooter em busca de pequenas aldeias e aventuras, onde fomos encontrando muitas pessoas a trabalhar na agricultura, sempre sorridentes e simpáticas… De turístico nada fizemos mas aproveitámos ao máximo aqueles campos e aquele silêncio tranquilizante. Menos tranquilizante, foi o mercado onde encontrámos cães e gatos à venda, mas mortos e prontos a comer. Meteu-nos muita confusão, digamos que somos muito ocidentalizados para ver estas coisas…

De resto podemos dizer que a gastronomia chinesa é ótima (provavelmente das melhores que já experimentámos ao longo da viagem) e que varia muito de “terra para terra”, mas uma coisa é certa, é (muito) diferente da de Portugal – tanto que nós por vezes nem sabíamos o que estávamos a comer… Mas há um ponto muito forte de ligação entre estes dois países (e não é a EDP, ou a REN), é o pastel de nata que encontrámos por todos os sítios onde passámos – Dr. Álvaro Santos Pereira, hoje já pode dormir descansado…

Por fim, Nanning- a verdadeira cidade chinesa. Não temos muito a dizer: muita confusão, muito trânsito, muitas pessoas, muito barulho… O resto podem ver no seguinte vídeo, porque… bem, eu não quero voltar a falar da experiência…

Quanto ao povo chinês em si e no geral – nós adorámos. Foram sempre simpáticos e atenciosos para nós, mesmo que não percebessem o que dizíamos. Fazem muito exercício físico, comem rápido e, por vezes, parece que falam chinês… São apaixonados pelo jogo, de rua ao casino, e adoram karaoke. Muitos são religiosos. Cada um tem o seu telemóvel XPTO a quem estão sempre agarrados.

Bem, relativamente ao governo, é uma história complicada… Será algo que se encontra entre um capitalismo económico desenfreado e um regime comunista – não é fácil de entender e é muito difícil de explicar.

Esperamos que a China vos tenha surpreendido tanto como a nós…

永别了,队友

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6 respostas a Made in China

  1. José Batista diz:

    Como é que eu ainda não tinha vindo aqui, estou fascinado.
    Parabéns e continuação de boa escalada.

  2. Joana diz:

    Vá lá Gonçalinho, não sejas bebé! Até tinha muito bom aspeto o casúlo. Agora tens sempre um assunto para iniciar uma conversa!

  3. gostei muito da vossa crónica ,MACAU é maravilhoso ,vocês transportaram-me alugares por mim conhecidos foi fantástico , Agora desejo boa viagem Beijinho para vocês

  4. Isabel Azevedo diz:

    Não fui, mas é como se fosse, por momentos senti que fui para lá transportada. Tão bem que vocês conseguem que eu me sinta mais pertinho de vocês… a parte da comida é que secalhar dispenso!
    Obrigada, beijinhos e como sempre… olhos bem abertos!!!

  5. Cristina Saraiva diz:

    Sim sem dúvida mais uma crónica maravilhosa, tirando a parte dos animais mortos para vender claro, só de pensar é no mínimo arrepiante, beijo grande com muitas saudades.

  6. MFA diz:

    Crónica… Magnífica! Sublime! Adjectivante q.b. para nos transportar, em leveza e profundidade, para aí.

    Beijo orgulhoso (… superior a qualquer 43º andar!)

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