O Triângulo de Ouro

Jaipur, Agra e Nova Deli, formam cartograficamente um triângulo. Pelo facto de todas elas terem algo de encantador, batizou-se como o triângulo de ouro, e foi lá que passámos a nossa última semana.

A primeira paragem foi Jaipur, a cidade cor de rosa por esta ser a cor mais abundante nos seus edificíos. Jaipur é uma cidade esbelta, esculpida no meio de colinas, cheia de animais como macacos, esquilos, pombas e vacas (tal como em toda a Índia) e de monumentos imponentes e grandiosos. Nesta cidade ficámos num hotel que nos fez sentir uns reis num palácio: quarto espaçoso, “limpinho” e com uma decoração antiga e cuidada. Um luxo para os 22€ que pagámos por noite. Nesta cidade, para não faltarmos à tradição, fomos novamente enganados. Foi um taxista esperto – o Salhim. O Salhim mostrou-nos um caderno de anotações onde tinha registados uma série de depoimentos escritos em várias línguas, entre as quais o português. E foi assim que nos convenceu a irmos com ele por 1,40€ visitar a cidade. Vimos o palácio de água, “a casa” onde dormiam os elefantes que serviam para extorquir o dinheiro aos turistas e depois fomos a uma fábrica de produção de têxteis manufaturados. Até aí muito engraçado, vimos todo o trabalho para limpar a bosta dos elefantes, a elaboração das refeições deles, como se faziam fatos típicos indianos, toalhas, lenços, etc. Só começámos a perceber o teor da “viagem” quando o empresário das sedas nos foi mostrar a loja dele. Mostrou-nos este lenço, aquela toalha, ofereceu-nos uma bebida e começou o discurso: “nós aqui não pressionamos ninguém, estamos aqui só a fazer o nosso trabalho”. Aí é que entendemos o esquema todo – o Salhim tinha um “contrato” com esta malta toda e levava-nos lá para comprarmos estas “coisitas”. Daí o facto de insistir connosco em ir dar uma volta de elefante ou tirar uma foto com eles, ou mesmo a insistência dele nas previsões do futuro, pois tinha um amigo astrólogo com uma ourivesaria – local para onde, por coincidência, nos levou a seguir. Como se ainda não bastasse achou-nos muito nervosos e levou-nos a comprar chás para acalmar um pouco, só que nós já estávamos nervosos de mais e não comprámos nada. Bem, sabe sempre bem sermos enganados…[vimeo http://vimeo.com/36241279 w=681&h=383] No dia seguinte andámos com outro taxista, com quem também passámos um episódio curioso. Dizia que não nos queria levar a um dos monumentos que lhe sugeríamos, que podíamos ir aqui e ali mas não ao Gaitor. Mas depois de tanta insistência lá nos explicou a razão. O Gaitor era um jazigo onde estavam sepultados alguns Marajás que, segundo a religião Hindu, por ser um local de mortos, transmite mau karma para as pessoas que os visitam e que de seguida vão a templos. A partir daí o taxista implorou-nos que não lhe tocássemos por ele ser frequentador assíduo de templos. Resultado: andámos toda a tarde cheios de medo de tocar no Sr….

No resto dos dias visitámos o Amber Fort, o templo dos macacos, o templo de Ganesh, o templo de Birla, Hawa Mahal e o Jantar Mantar. Todos eles com a sua beleza única, mas destacamos apenas o último não pelo facto de ser belo mas pela inteligência e conhecimento que a sua construção envolveu. Este é um complexo de relógios solares cuja precisão varia ente os 2 segundos e os 10 min, de instrumentos geológicos que permitiam saber a latitude e a longitude e de uma série de instrumentos astrológicos. Estes últimos têm ainda muita importância para muitos indianos, pois podem dar informações tão variadas como a cor do carro a comprar ou o sucesso de um casamento ou mesmo de um investimento.

Estava visto o primeiro vértice, agora estávamos a 5h30min de distância do segundo – Agra – onde apenas iríamos passar um dia para visitar 4 monumentos, cada um mais extravagante que o outro. Começámos por Fathepur, um forte com uma mesquita no interior copiada da existente em Meca, construída para comemorar o nascimento do seu primeiro filho. Seguiu-se Sikri, um palácio enorme onde o rei apenas viveu durante 16 anos, apesar de ter sido construído com o propósito de durar décadas. Porém, devido à falta de água, tiveram de se mudar. Depois de almoço fomos ver o forte de Agra, local igualmente grandioso, onde o filho mais novo, por ambição ao poder, matou os irmãos e prendeu o pai, Shah Jahan, mas deixando-o com uma vista explêndida para o Taj Mahal. Os desenhos nas paredes eram feitos com pedras preciosas e ouro, ao invés de tinta. Naquele tempo, tudo era feito “sem amor ao dinheiro”, e outro exemplo disso mesmo é o Taj Mahal. todo feito em mármore branco, à beira rio, com um jardim enorme – tudo simétrico. Este palácio, que é uma das 7 maravilhas do mundo, foi mandado construir por Shah Jahan, depois da morte da sua esposa. Esta história de amor esconde um lado bastante mais sangrento, já que se diz que foram mandadas cortar as mãos de todos os trabalhadores que estiveram envolvidos na sua construção, de modo a que um outro igual não pudesse voltar a ser construído.

O triângulo ficou completo com Nova Deli. Apesar de ser a capital da Índia, não achámos que fosse tão caótica e confusa como seria de esperar. Deli é uma cidade dinâmica, cheia de pessoas na rua, muitos turistas, comércio e pequenos mercados, e mais civilizada e organizada que o resto do país. Por aqui visitámos alguns locais como o Parlamento, o Forte Vermelho, a mesquita de Jama Masjid e alguns templos, incluindo o comummente chamado “flor-de-lotus”, devido à sua forma. Este templo merece algum destaque, não só pelos inúmeros prémios de arquitectura que já recebeu, mas principalmente porque serve de abrigo a uma religião que vale a pena pesquisar por ser muito aberta e jovem, de seu nome Bahá’í.

Concluído o triângulo e chegados a Kanda, onde vamos estar durante as duas próximas semanas a ensinar Matemática, Ciências e Inglês a crianças dos 10 aos 14 anos, deixamos para trás 3 cidades bastante interessantes, cada uma por uma particularidade diferente.

Esta Índia é fantástica!

Kall melenge hum, ok dost!

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