Bulgária, o país que diz que sim a dizer que não

Chegámos a Sófia relativamente rápido, 9 horas depois da partida, numa viagem feita de noite. Já na estação, e à semelhança do que temos vindo a fazer ao longo destes dois meses, fizemos um género de prova de orientação para encontrarmos o hostel que reservámos: “Saindo da central de comboios, dirija-se à paragem de autocarros a 150 metros à direita e apanhe o autocarro nº 14 ou 22. Saia na 6ª paragem. Depois apanhe o elétrico número 2 e saía na paragem seguinte. Siga pela rua “x” e vire à esquerda quando vir a loja Y. O edifício é o número 4, toque à campainha”. Desta vez esta tarefa foi dificultada porque, sem o esperarmos, voltámos a encontrar o alfabeto cirílico, tal como na Rússia. Enfim, encontrámos o hostel à mesma. Deixámos as mochilas, pegámos num mapa e saímos para explorar as ruas, não havia tempo a perder.

Enquanto o sol fazia o  seu percurso diário, nós fomos fazendo o nosso por todos os pontos já assinalados no mapa. E logo desde cedo nos apercebemos da beleza de todos os monumentos da cidade com milhares de anos de história. Isso foi sendo bastante percetível para nós à medida que íamos encontrando uma série de ruínas. Muito interessante também foi, num raio de 1km quadrado, encontrarmos uma série de edifícios religiosos de várias religiões como a católica, a muçulmana, a judaica e ortodoxa.

Apesar deste ser o país menos desenvolvido da UE, isso não se notou pelas ruas.

Já o sol estava a cair, resolvemos aproveitar as últimas horas do dia juntando-nos a mais uma walking tour, que durou cerca de 3.30h (desta vez, em alguns momentos, uma verdadeira seca, mas pronto). Com o desenrolar da mesma, ficámos a conhecer mais algumas curiosidades sobre este povo, sendo que a primeira delas valeu o título desta crónica – imaginem estar numa conversa, questionarem alguém e essa mesma pessoa responder dizendo que “sim”, mas abanando a cabeça fazendo que “não”, ou vice-versa? Pois é, o povo búlgaro, muito confusamente para os turistas, é provavelmente o único que faz isso no mundo inteiro. Segundo a lenda, tudo isto começou porque à muitos séculos atrás, só era salvo da morte quem se convertesse à nova religião e, para sobreviverem, os habitantes “aceitavam” a mudança de religião fazendo que sim com a cabeça, mas na verdade diziam que não interiormente… Outra curiosidade que remonta também ao tempo antigo mas que ainda perdura nos dias de hoje é que, quando morre alguém, o nome, a foto da pessoa e uma frase ou poema são espalhados pela zona de residência do falecido, para que ninguém se esqueça dele.

No final da tarde do segundo dia, já tínhamos visitado tudo o que a cidade nos tinha a oferecer, por isso fomos ao ponto de turismo saber o que mais poderíamos explorar por aquelas bandas. Aí ficamos a conhecer a cidade de Plovdiv, bastante populada e histórica, que poderia ser uma boa opção de visita a considerar. Saímos para jantar a pensar no assunto e, durante o prato de sopa, decidimos que iríamos antecipar a saída de Sófia um dia, já que a cidade apesar de agradável, já estava vista.

Pela manhã do dia seguinte, saímos com a casa às costas para Plovdiv e em duas horas lá estávamos nós. Deixámos as mochilas nos cacifos da estação e caminhámos até ao centro histórico. Valeu a pena a decisão de visitar a cidade, pois esta tinha todos os seus milhares de anos de história muito bem preservados. Vimos desde anfiteatros gregos a igrejas ortodoxas e mesquitas, ou mesmo a simples casas medievais e tradicionais e ainda tivemos a oportunidade de comer uma deliciosa refeição de comida tradicional, absolutamente fantástica.

Mas depois de toda a tarde mergulhados “noutros tempos”, era hora de voltar ao tempo atual e voltar à viagem. Já novamente com as mochilas às costas, disseram-nos que estávamos com sorte porque o nosso comboio não estava atrasado como o normal e nós, cansados, festejámos. Mas não por muito tempo porque 10 minutos depois a tabela estava a ser atualizada, o comboio estava 110 minutos atrasado – ora que bem! Lá fomos nós para uma sala gelada,  mas com acesso à internet, e lá passámos umas boas horas… Mas o comboio chegou e nós fomos dormir, claro que não por muito tempo porque assim que chegámos à fronteira, toca a sair do comboio para ir comprar o visto de entrada na Turquia por 15€.

No final de toda esta viagem, cá estamos nós, numa cidade brilhante e diferente que tem o nome de Istambul. Dia 15 entraremos de “férias” e regressamos a Portugal, onde nos vamos reencontrar com todos vocês de quem temos muitas saudades.

Довиждане, приятели

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6 respostas a Bulgária, o país que diz que sim a dizer que não

  1. Manuela Marques diz:

    Já estão com um pé na Europa e outro na Ásia.
    Há 2 anos passámos férias no sul da Turquia, na dita Riviera, num sítio espectacular. Com muita pena minha não conheço Istambul, só através de testemunhos. Segundo a Xana/Paula, aí tudo vale a pena: ruas, mesquitas, palácios, museus, o Grande Bazar e outros (a cor e os cheiros são inesquecíveis), e muito mais. Penso que é uma das cidades mais fascinantes, mítica, onde se entrecruzaram as grandes civilizações. A sua história é riquíssima (não sei se costumam fazer uma abordagem prévia sobre a história dos países por onde vão passando).
    Só um breve apontamento: a queda de Constantinopla para os turcos otomanos em 1453, segundo alguns historiadores, marcou o fim da Idade Média na Europa e teve grande importância para o mundo ocidental.
    Entrem num hammam, mas num que valha mesmo a pena, porque os há antigos, e relaxem com um banho turco. Provem a doçaria turca, é óptima! Já deviam ter experimentado o café e as suas borras.
    Há quem diga que a luz de Istambul se assemelha à de Lisboa.
    Pena se ficam só por Istambul, há tanto para ver na Turquia!
    Aproveitem ao máximo e brindem-nos com mais uma crónica.
    Beijinhos

    • fllgapyear diz:

      Essa afirmação inicial pode ser mesmo levada à letra, uma vez que aqui existe uma ponte que liga a parte asiática e a parte europeia da Turquia, dois mundos diferentes na mesma cidade!
      Sim, costumamos, a Turquia tem uma história de muitos muitos anos, carregadas de acontecimentos e “oportunidades” que a construíram tal como é hoje – um país com uma cultura extraordinariamente bem definida.
      Quanto à doçaria, é muito diferente da nossa. Em muitos dos casos deliciosa e com frutos secos.

      Obrigado pelas sugestões!
      Beijinhos

  2. A vossa pasagem pela Bulgária foi rápida ,mas souberam aproveitar! espero que naTurquia tudo corra bem ,que avossa primeira temporada termine em beleza!!!!!!!!!!Nós estamos ansiosos de chegar o dia daquele abraço bem forte. BEIJINHOS BOA VIAGEM DE REGRESSO

  3. isabel azevedo diz:

    Mais um crónica deliciosa, o título muito engraçado… gosto de ler as crónicas e depois e ir rever as fotos, “transporta-me” para esses locais por onde vocês vão passando.
    Agora cuidado com os turcos, continuem com os olhos bem abertos! E como vão estar aí alguns dias absorvam tudo ao máximo, mais uma vez vos recomendo os banhos turcos, pelo que tenho ouvido falar são um espectáculo, se não experimentarem é como ir a Roma e não ver o Papa.
    Beijinhos e sempre juntinhos.

    • fllgapyear diz:

      Obrigado mãe/Isabel.
      Não te preocupes que seguiremos as tuas recomendações, sem problemas nenhuns, claro.
      E quanto aos turcos, podemos dizer que nos sentimos em casa, porque essa é mesmo a verdade. Os turcos, na sua esmagadora maioria, são muitos simpáticos e tratam-nos como ninguém, provavelmente são o povo mais simpático que já visitámos!

      Beijinhos

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