Uma passagem rápida por Talin e Helsínquia

Sabíamos pouco sobre estas cidades antes de as visitar, portanto, tudo o que vimos acabou por ser novidade para nós. Chegámos à Estónia e a primeira coisa que nos agradou foi voltarmos à nossa querida moeda Euro, que felicidade e alívio, nem imaginam! A segunda coisa que nos surpreendeu foi o hostel – aquilo é que era um hostel! A limpeza, a simpatia dos rececionistas, a decoração, o preço, o convívio, a localização, a LAVANDARIA, tudo! Mas assim que saímos do hostel vimos que aquela cidade tinha muito mais a descobrir. A primeira coisa que fizemos foi obviamente a walking tour, onde nos apercebemos da influência da época medieval, quer no turismo, quer na constituição da cidade em si. Podemos dizer que tudo está muito bem conservado. As torres e as muralhas que rodeiam e delimitam o centro histórico separam também duas épocas arquitetónicas muito distintas. Fora daquele limite encontra-se uma cidade “banal” e moderna, mas também nela, numa parte específica, podemos encontrar uma segunda influência da história – os prédios e bairros soviéticos (saiba-se que 25% da população do país é russa).

Mas falando do “entre muralhas”, é uma zona muito dinâmica, onde as pessoas se movimentam maioritariamente a pé, com muita animação medieval, barraquinhas de venda de produtos manufacturados e roupas tradicionais, tudo muito “arranjadinho”… É difícil falar de locais de interesse quando falamos de uma cidade histórica muito reduzida porque basicamente toda ela é interessante, mas podemos salientar alguns que vão desde a Cruz da Independência, às várias igrejas existentes (destaque para uma ucraniana de estilo muito simplicista, num terreno particular, onde quem se atreve a bater à porta é muito bem recebido), os túneis subterrâneos que foram sendo utilizados de várias formas ao longo dos tempos (ver explicação), a City Hall, as pequenas casas de artesanato, as torres e as muralhas, entre outros. Desta vez, podemos dizer que a nossa experiência gastronómica teve um “luxo especial”. O Dr. Carlos Torres sugeriu que nós fossemos a um restaurante medieval e assim fizemos, foi espetacular. Com um interior que fazia lembrar os filmes do séc. XIV, todos os empregados faziam um esforço para que tudo aquilo se tornasse quase uma realidade. As vestes, a forma como se dirigiam às pessoas, as velas, como traziam os pratos, a música que tocavam, até mesmo à forma como falavam (um empregado disse-nos <<Não se preocupem, nós metemo-vos bêbados>>. Nessa noite, o nosso jantar, servido em pratos e copos de barro, foi original e saboroso: comemos um bife de javali, dois de rena, um acompanhamento (que continuamos sem fazer a mínima ideia do que era), os habituais frutos silvestres, um molho de cogumelos, cebola e alho e, para acompanhar, uma cerveja de mel e uma cerveja de ervas aromáticas – ambas feitas por um monge . No final ainda tivemos direito a um licor da casa, forte, mas bastante saboroso. Outra coisa que na Estónia comem muito, o que não sabíamos, são panquecas. Há panquecas desde as mais simples com chocolate, às mais “estranhas” com arroz, batata, etc. Resta acrescentar que a cozinha estoniana é caracterizada essencialmente por batata, batata e batata.

Mais uma vez, como temos verificado neste nosso percurso nórdico, falar ou ter uma conversa em inglês não é problema nem na Estónia nem na Finlândia. No caso específica da Estónia, desde o primeiro ano de escolaridade (ou mesmo desde a pré-primária) que se tem inglês como disciplina obrigatória (antigamente era russo). A língua opcional é o alemão.

Outra experiência bastante interessante foi a que tivemos com dois ingleses/indianos e um americano. Conhecemo-los na sala de convívio do nosso hostel, onde nos apresentámos e falámos sobre os nosso países, ao mesmo tempo que mostrávamos músicas de artistas nacionais – muito interessante. Menos educativo mas igualmente divertido foi a noite que se seguiu com os dois britânicos. Começámos por ir a outro hostel, onde o tema principal era viagens: onde se tinha ido, onde se iria, experiências engraçadas, sítios a visitar, conselhos, tudo isto intercalado com as sucessivas cervejas que toda a gente bebia (isto logo a partir das 8h da noite, o que se verifica em todas as cidades nórdicas por onde passámos, a “noite” começa muito cedo). Seguidamente fomos a vários pubs onde o convívio também transbordava e foi desta forma que se percorreram 4 bares na mesma noite. Aqueles nossos novos “amigos” eram mesmo animados, falámos e rimo-nos de tudo. Um dos ingleses nem sequer nos deixava pagar nenhuma bebida e acabou por gastar uma fortuna connosco (literalmente).  Acabámos a noite a comer uma pizza num snack bar aberto 24h por dia. Ainda nos lembramos de tudo, como veem… O que foi menos positivo foi a manhã seguinte. Naquela noite, por impulso, combinámos com os ingleses ir a Riga para onde eles já tinham decido ir. Então ficou acordado que às “11 o-clock” estávamos na receção para, juntos, apanharmos o autocarro que em 4h nos levaria à capital da Letónia. No dia seguinte, levantámo-nos cedo para fazer as malas, desfazer as camas e tomar o pequeno almoço e, qual não foi a nossa reação quando, admirados com o atraso deles, perguntámos se os tinham visto e nos disseram que nos tinham deixado um bye. Sem perceber porquê, tinham-nos deixado pendurados. Bem, lá tivemos de fazer check in novamente e ficar lá mais um dia. Com a manhã perdida, acabámos por ir conhecer mais alguma coisa pela cidade com o nosso “amigo” americano que, curiosamente,  ia fazer o mesmo percurso que nós: Helsínquia e São Petersburgo. No dia seguinte, acordámos às 6 de manhã para apanhar o primeiro ferry para Helsínquia, que perdemos porque o recionista nos indicou o terminal errado. Acabámos por, em vez de ir no das 8h, ir no das 11h, uma valente seca em que aproveitámos para tirar uma sesta no banco do terminal A.

Em relação a Helsínquia temos pouco a dizer, passámos lá 3 dias, mas só porque não existiam ferries para a Rússia mais cedo. Como muitas pessoas têm dito, um dia para Helsínquia chega. A capital da Finlândia é bastante humilde e simples. Mesmo assim, conseguimos sugerir alguns monumentos a visitar: o parlamento finlandês, o museu nacional, a Uspemski (igreja russa), a “catedral branca”, a igreja Temppeliaukio (escavada numa rocha) , a ilha Suomenlinna e, por fim, para quem gosta, o monumento de Sibelius. Note-se que a Finlândia é um exemplo para muitos países e Portugal não é excepção, foi na Finlândia que Portugal se foi inspirar para desenhar alguns pontos fortes do nosso modelo educativo, nomeadamente no que tem a ver com as novas tecnologias.

Interessante foi também o facto de, ao visitar uma das igrejas, encontrar o nosso amigo americano, por pura coincidência. Ele deu-nos ideias para a exploração da cidade.

No final do dia de ontem, deixámos o país com destino a São Petersburgo onde estamos neste momento. Por sorte, na mesma cabine onde passámos a noite, dormiu um russo (bastante simpático) que nos introduziu a cidade e as bebidas da própria. No barco, o John (nome inglês equivalente ao seu em russo, segundo ele) comprou uma garrafa de 60% de álcool que, depois de nos servir “um dedo e meio” a cada um (que nós precisámos de uma hora para beber), degolou à medida que conversava connosco. No final, podemo-vos dizer que estava só mais um pouco desinibido. Estes russos bebem que “se fartam”…!

Näeme varsti, seuralainen!

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8 respostas a Uma passagem rápida por Talin e Helsínquia

  1. R diz:

    Gosto bastante das vossas crónicas
    Tenho 15 anos e com o projeto COMENIUS, tive também a sorte de visitar a Estónia e a Finlândia.
    Na Estónia passei cerca de duas semanas, uma delas num pequeno municipio, kadrina, em casa de uma família. O projeto englobava vários países.
    A outra semana foi passada em Tallin e é muito interessante ver como a vossa opinião acerca da cidade é muito similar à minha e à das minhas colegas com quem partilhei esta experiência. A única diferença é que quando estivemos na cidade ainda se utilizava a coroa estoniana e ficámos num hotel.
    Na Finlândia permanecemos apenas uma noite e meio dia, o que deu para dar uma “voltinha” pela cidade e ficar estupefactos com a sua organização.

    continuação de boa viagem, e acho-vos uns sortudos por poderem fazer essa viagem maravilhosa que um dia eu espero ter a sorte de realizar🙂

  2. .As vossas crónicas são cada vez mais apelativas, essa igreja levou-me a reviver o dia em que es assisti a uma missa nesse local, é maravilhosa,quando nos aproximamos não temos noção do que vamos encontrar, pois como voçês descrevem é toda escavada na rocha .Tenho pena de não ter passado por Tallinn, Agora meninos boa viagem para a Russia e muitos agasalhos. Beijinhos até à proxima.

  3. Jorge Figueiredo diz:

    Boas meus Caros
    Não pretendendo ser pretensioso (porém, sendo-o) nem avaliativo “castrador”, sempre arrisco dizer que os vossos escritos são cada vez mais densos, ricos e interessantes. A verdade é que sentimos o privilégio de convosco viajar.
    As inúmeras experiências e as lições que sempre acarretam, a intensidade dos cheiros e dos sabores, a volatilidade dos locais, as características distintivas e quiça únicas dos espaços. Continuem a deliciar-nos com as vossas crónicas, porque deste lado têm leitores fiéis, atentos e hávidos de novidades.
    Uma dúvida assola a minha mente. Como se safa por essas paragens um indíviduo que seja assumidamente abstêmico?
    Abraços

    • fllgapyear diz:

      Obrigado pela sua contínua simpatia! Mas deixe-nos dizer, que é ainda maior o nosso prazer ao saber que há pessoas tão interessadas desse lado a ler as nossas crónicas.
      Quanto à sua questão, não fazemos ideia, mas vamos tentar descobrir. Uma coisa é certa – esse indivíduo, a meio da noite, vai deixar de entender as piadas russas.

      Grande abraço

  4. Isabel Azevedo diz:

    Com a vossa descrição de Talin, dá logo vontade de ir visitar a Estónia, parece ser simpática e acolhedora. Dá para perceber que apreciaram o jantar mediaval, deve ter sido original e diferente, é bom dar a conhecer ao nosso palato novas sensações, quer sejam em forma de comida ou na forma de bebida… mas cuidado com a última principalmente na Rússia.
    Divirtam-se e olhos bem abertos aí na Rússia!

    • Marisa Silva diz:

      Ola! – KUIDAS SOUL LAHEB? –
      Gostei do comentario… Foi giro estar a ler e a viver tudo de novo! O restaurante medieval concerteza é o HoldAnsa… O Hostel, deixaste-me curioso…m pela lavandaria é o da faculdade:P ;Lavei la muita roupinha, embora estivesse no academic hostel. Foram ao nimeta Bar? Mitico😛 Toda a cidade é maravilhosa… eu keria ter-vos apanhado on para vos indicar o cafe vasco da gama, cafe bem portugues… iam adorar o belo do pastel de nata:P so para matar saudades eheh

      • fllgapyear diz:

        Olá! Está tudo bem obrigado.

        É bom saber que conseguimos fazer-te reviver tudo o que passaste na Estónia, é sinal que a crónica está minimamente boa.
        Quanto ao restaurante, foi exatamente esse, mas no que diz respeito a esse bar, não sabemos, fomos a tantos, com nomes “estranhos”, que não nos lembramos mesmo.
        Agora que falas nisso, um pastel de nata teria sabido mesmo bem…

        Beijinhos e obrigado

    • fllgapyear diz:

      É mesmo esse o adjetivo correto para Tallinn – acolhedor!
      Teremos, não te preocupes.

      Beijinhos e obrigado!

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