Berlim, uma história em forma de cidade

Esta foi uma cidade que nos surpreendeu pela positiva. Estávamos à espera de encontrar uma cidade fechada, estritamente regrada e pesada. Contra as nossas expectativas encontrámos uma cidade multicultural, diversificada e tolerante. Podemos estar enganados, mas esta foi a impressão que a capital da Alemanha nos causou.

A primeira prova de vitalidade e dinâmica da cidade foi logo na noite da nossa chegada. As praças e ruas estavam cheias, as pessoas amontoavam-se em torno dos monumentos mais importantes; nos cafés encontrávamos pessoas a conviver e a beber a sua cerveja. O que achámos mais interessante nesta faceta de confraternização dos habitantes de Berlim, foi uma feira que encontrámos mesmo no centro da cidade.

Aí, vimos toda uma sociedade a conviver: comia-se e bebia-se à “fartazana”. Essa devemos dizer que é, provavelmente, a forma predileta de convívio alemão. Nós fizemos o mesmo, e garantimos que não nos arrependemos, estava tudo tão bom… O mais engraçado foi quando o Tiago pediu a cerveja mais pequena e lhe deram uma de meio litro.

Sobre a comida podíamos acrescentar algumas informações, comemos 4 vezes cachorros, diversos doces tradicionais (entre eles, as famosas bolas de Berlim e os salgados brezel), salsicha cortada com um molho especial,  joelho de porco (num jantar que tivemos com o Ricardo Sousa, que foi convidado a trabalhar na cidade) e rolo de carne assado, tudo delicioso!

Joelho de porco

Brezel

A nível de turismo, é uma cidade que vive sobretudo das duas grandes manchas de sangue que sempre a acompanharão – a 2ª Guerra Mundial e o Muro de Berlim.  Sobre estas duas temáticas, reservámos uma “edição especial” de duas crónicas individuais sobre os sentimentos que esta proximidade a estes acontecimentos nos causou. Elas estão para breve.  Nesta área gostávamos de deixar algumas sugestões de locais/monumentos a visitar:

  • TV Tower

    Memorial aos Judeus

Checkpoint Charlie

Brandeburg Gate

Museum Island

Topografia dos Terrores

Memorial do Muro de Berlim

Campo de Concentração de Sachsenhausen

Uma coisa que aconselhamos definitivamente a fazer é uma “Walking Tour”, na qual se visita a cidade num passeio agradável onde se aprendem pormenores engraçados e muita história. Foi neste passeio que, por exemplo, descobrimos que o local do antigo Quartel-General de Hitler é agora ocupado por um restaurante chinês e que no local onde ele passou os seus últimos dias (e se suicidou) encontramos agora um parque de estacionamento.

Os anfitriões da cidade recebem bem os estrangeiros, o custo de vida é semelhante ao de Portugal e convém dizer que têm um nível de inglês muito bom. O mesmo não podemos dizer do Sacha, o rececionista do History Hostel onde ficámos hospedados. Era russo e as frases mais elaboradas que o ouvimos dizer foi: “Sacha I Love you portuguish soccer, super, super!”, “This is reception – baggas, go out” e ainda o “Espanholas sexy”.

Sacha

Seguindo o que já tínhamos feito em Praga, fomos à câmara municipal de Berlim, tentar contactar alguém que nos pudesse dar uma entrevista informal e recolher informações. Desta vez, e infelizmente, fomos mal recebidos… Foi o único sítio em que verificámos o rigor alemão. Disseram-nos que devíamos tratar cada um dos temas em diferentes ministérios e que era impossível arranjar alguém que nos pudesse falar de tudo em geral. Como era o último dia na cidade, e nem tudo era perto, fomos falar com alunos que, por sua vez,  nos falaram da educação. O ciclo de formação do aluno divide-se em três partes: 4 anos de primária, mais 6 anos de escolaridade obrigatória e, antes do ensino superior, mais 3 anos-  de estágios profissionais ou  de escola regular (ao que eles chamam de “Abitur”). De realçar é o facto do ensino na Alemanha distinguir os alunos por capacidades, em 3 grupos, logo após a conclusão do ensino primário. Por ordem decrescente, os nomes dos níveis são: “Gymnasium”, “Realchule” e “Hauptshule”.

Enfim, foi uma grande visita à Alemanha, muito educativa mas surpreendentemente divertida.  Mas como não podíamos ficar para sempre, tivemos de partir hoje para Copenhaga. Levantámo-nos eram 7 da manhã  para chegarmos cedo à estação Berlin Bhf, fomos rápidos e, passado uma hora, lá estávamos nós prontos a apanhar o comboio que supostamente saía às 9.30h. O problema foi que, afinal, não havia nenhum comboio a essa hora, acabámos por dormir nos bancos da sala de espera até às 11.24h- um grande frete. Distraímo-nos com as horas, e acabámos por ter de ir a correr para não o perdermos. Entrámos e o comboio partiu, mas já lá dentro, andámos 15 minutos de um lado para o outro e não havia forma de encontrarmos o nosso lugar. Porquê? Porque estávamos na carruagem errada que, na estação seguinte, se ia dividir do resto do comboio para ir para o este da Alemanha. Por sorte apercebemo-nos a tempo e demos uma corrida quando o comboio já estava prestes a partir de novo. Algum tempo depois, e como se não bastasse, (e esta foi das sensações mais estranhas das nossas vidas) estávamos a ver um filme e, de repente, o comboio pára. Nesse momento, começamos a ver um grande movimento de camiões a passarem junto à janela do comboio, e nós não percebíamos o que se estava a passar. Minutos depois, fecham as luzes do comboio e aparece o revisor a dizer-nos para sair. Depois de andarmos lá perdidos sem nenhuma indicação, lá subimos um elevador e qual não foi o nosso espanto quando nos apercebemos que estávamos num ferry a atravessar o mar! Ficámos completamente boquiabertos com aquilo, para nós, não fazia sentido, até vermos o mapa… Chegando de novo a solo firme, tínhamos de fazer escala para outro comboio que… não estava lá. Por sorte percebemos que a linha estava em construção e que em vez de comboio tínhamos de fazer o resto do percurso de autocarro. Ao final de 7 horas de viagem, chegámos a Copenhaga.  E cá estamos nós, à espera que a roupa seque, pagámos 9 euros para usar a lavandaria e esperamos não tingir tudo. Este Hostel é brutal, tem muitos jovens e todos eles de diversas partes do mundo. Vamos ver o que Dinamarca nos reserva. Amanhã já temos uma nova “Walking Tour” marcada para as 10 e meia, vamos lá ver se não adormecemos…

Bis zum nächsten Mal, mein Freund!

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18 respostas a Berlim, uma história em forma de cidade

  1. Rei Leao diz:

    Gonçalo, eu também já fui a Berlim e deixa me que te diga que é das cidades que mais gostei de visitar, espero que também tenhas gostado. A Alemanha evoluiu muito desde a segunda guerra, ao contrario do que se pensa.
    Saudaçoes leoninas, e resto de boa viagem

  2. Abílio Andrade diz:

    Olá Companheiros:

    Com a vossa esplêndida aventura, parece que estou a reviver o meu inter rail efetuado em 1989, já no século passado, pelo sul da Europa.São nestes momentos em que a “gente” descobre como somos pequeninos e o mundo é muito grande.São experiências marcantes, que vão ficar nas vossas memórias para o resto das vossas vidas.

    A vossa aventura faz-me lembrar a Volta ao Mundo em 80 dias do Júlio Verne. Aproveitem e desfrutem o melhor possível, esta única oportunidade de conhecer novos mundos e novas culturas. Não imaginam o quanto eu “invejo” esta vossa aventura.Retirem o máximo de informações e contatos deste formidável passeio intercontinental.

    Gostaria que recolhessem informações sobre os diferentes sistemas de ensino, dos diferentes países, como fizeram na Alemanha, bem como do funcionamento das aulas e em especial de Educação Física e da cultura desportiva dos diferentes países. Falem com as mais variadas pessoas (novos, velhos, alunos, professores, profissões liberais, políticos, etc). Preocupem-se em recolher muita informação para depois realizar um, dois, três …. filmes, escrever um, dois, três,….. livros, dar várias conferências, e outras coisas que esta excelente aventura vai possibilitar.

    Os Amigos: Gonçalo e o Tiago, são o verdadeiro Fernão de Magalhães do século 21 a darem a volta ao mundo. Verdadeiros embaixadores de Portugal na conquista do mundo através da INTERNET. PARABÉNS e MUITAS FELICIDADES.

    O Amigo: Abílio Andrade

    • fllgapyear diz:

      Obrigado, professor, por toda a grandiosidade que coloca na nossa viagem.
      É, sem margem para dúvidas, esse o nosso objetivo- aprender, aprender e aprender! O mundo e as experiências são a verdadeira escola da vida…

      Esperamos estar à altura de tamanho desafio.
      Um grande abraço

  3. Joana Rebelo diz:

    Mais uma vez uma grande crónica e uma grande aventura pelo que estou aqui a leeer! ainda bem que estão a gostar e que se estão a divertir! beijinhos aos dois <3<3

  4. Marisa diz:

    Bis zum nächsten Mal, mein Freund!
    Tradução Gonçalo, sff
    Ola Sobrinho e saudações ao teu Amigo e companheiro – só tu Gonçalo me fazes ligar o pc em casa …
    No passado li bastante os livrinhos das aventuras dos ‘cinco’ mas vocês estão a re-escrever um novo conto – ‘as aventuras dos dois’.
    Aprecio bastante o relatório da viagem repleta de coisa boas; as peripécias da jornada também fazem parte e torna a viagem mais engraçada. No final tudo corre bem e vocês riem-se do que se passou.
    Estiveram numa cidade que foi severamente bombardeada e destruída tal como tantas outras cidades da Europa que sofreram destruição – a pior de todas, a horror da perda de milhares de vidas humanas. Nessa altura não havia bombardeamentos apenas com danos colaterais.
    Mas o que pretendo dizer, é a bravura desses povos – alemães, polacos etc que fizeram renascer das cinzas as suas ruas, edifícios e monumentos. A cidades que se ergueram de novo e iguais ao que eram – até as ruas e os nrºs das portas!
    Foi essa valentia, essa força titânica colectiva, que tornou muitas dessas nações fortes, coesas e socialmente mais saudáveis, completamente diferentes dos povos do sul da europa.
    Beijos e abraços, fiquem bem.

    João Silva

    • fllgapyear diz:

      Essa expressão alemã significa “Até à vista, companheiros”, tal como nos despedimos em todas as outras crónicas, ou seja, nas línguas dos países por onde passamos. Realmente, os alemães são “feitos de outra massa”, já passaram por muito, concordamos!

      Abraço Tio,
      Gonçalo Azevedo Silva

  5. Marta Borges Bernardo diz:

    Mais uma vez, uma crónica bastante boa!!
    Fico feliz que tenham gostado da vossa estadia na Alemanha. E sim, tal como Berlim, também toda a Alemanha é um país bastante diversificado. bastante “diversificada” é também a rede de transportes: tirando os urbanos e suburbanos, realmente os caminhos de ferro na Alemanha são uma desgraça…

    Fica também a seguinte curiosidade: Ao invés do que acontece com a maior parte das capitais europeias / mundiais, Berlim é das cidades MAIS BARATAS de toda a Alemanha. A lista das mais caras é encabeçada por Munique, seguida de Hamburgo e depois vai decrescendo de custo de vida ao nível que se vai subindo no mapa!

    Quanto à feira que tiveram oportunidade de ver: é mais do que normal encontrá-las. Se tivessem ido lá (ou a qualquer cidade do país) a partir dos meados de Novembro, encontravam a famosa Weihnachtsmarkt, uma feira de natal que dura cerca de um mês, e na qual teriam a oportunidade de provar o afamado Glühwein, um vinho servido a ferver, quase, e com forte sabor a especiarias. Assim, fica a dica para uma futura visita.🙂

    Continuem a escrever, e…

    GUTE REISE!!

    • fllgapyear diz:

      Sim, teria sido muito bom visitar essa tal feira, mas garantimos uma coisa, pela amostra, estas feiras alemãs são muito boas.
      Podemos dizer que gostámos muito da Alemanha e que ela nos deixa saudades.

      Obrigado e beijinhos

  6. Pois é, nada como uma visita aos países para mudarmos de ideias quanto às pessoas.
    Gostei imenso de ler esta nova aventura.
    Obrigado

  7. odete azevedo diz:

    Olá viajantes a vossa crónica está muito recheada de informações , umas pitorescas ,outras mais sérias contudo dá para perceber que aproveitaram bem o tempo.As fotos estão espetaculares,.Boa estadia na Dinamarca,eu gostei quando por lá passei , força rapazes!!!!!!! beijinhos

  8. Jorge Figueiredo diz:

    Boas rapazes
    Permito-me começar por agradecer mais uma excelente crónica, plena de entusiasmo, realismo, aventura e “cenas” pitorescas.
    Pelo que já tive oportunidade de ler, e acreditando estar na presença apenas da ponta do iceberg, no que diz respeito ao manancial de informação por vós recolhida, acredito existir matéria mais do que suficiente para a publicação de um livro de viagens!!! Fica o repto, que aliás nem sequer é novo.
    Relativamente ao conteúdo achei interessante a gestão de expetativas que já percebemos tanto podem ficar aquém como exceder as ditas. Fiquei a pensar, num misto de preocupação versus admiração, se o Sacha, o rececionista do History Hostel ao afirmar “Espanholas sexy”, se também ele ainda acha que Portugal não passa de uma província espanhola ???
    Estou a pensar abrir um evento no facebook, para uma subscrição pública para a compra de um despertador eficaz contra dorminhocos.
    Fiquem bem!!!

    • Luis Fonseca diz:

      Excelente.
      Muitas e boas peripécias, também “nos” ajudam a abrir os olhos.
      Há uma em particular que me levou ao tempo de militar-comboios……..
      Tudo de bom e continuação de boas viagens.
      Até logo.

    • fllgapyear diz:

      Não tem nada que agradecer pois o prazer é todo nosso, primeiro por “sermos lidos”, depois por sermos elogiados desta forma tão generosa e gratificante.
      Quanto o livro, a verdade é que nunca nos imaginámos a editar um livro, ficamos obviamente contentes por receber essa sugestão, é sinal de como estamos a cumprir o objetivo.

      Obrigado por nos continuar acompanhar nesta viagem,
      Abraço

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