Assim foi Praga…

Neste momento, estamos sentados no Carl Maria von Weber, o comboio número 378, procedente da Main Train Station e com destino a Berlim, e é daqui que vos escrevemos estas palavras…

Os acontecimentos do primeiro dia em Praga já foram relatados, mas já passaram mais 3 que “têm muito que se lhe diga”.  Vamos relatar o que aprendemos da cidade e do país, contar algumas das situações mais divertidas e enumerar os locais mais fantásticos que visitámos. Cá vai disto!

Não foi muito difícil falar com alguém “de responsabilidade” do órgão executivo de Praga, difícil foi encontrar onde esse órgão se sediava. Andámos à procura de algumas coisa que tivesse a ver com Câmara Municipal  e no mapa acabámos por encontrar a Muncipal House. Fomos lá e o que encontrámos foi uns restaurantes  (num dos quais passámos um episódio que vamos desenvolver mais à frente) e um teatro. Falámos com as pessoas na rua, tentando encontrar alguém que falasse minimamente inglês – tarefa difícil em Praga -, até que uma senhora lá nos indicou onde podíamos encontrar o Magistrát. Lá nos perdemos outra vez pela cidade… Chegámos ao local mas entrámos no edifício errado, o destino correto era do lado oposto da rua. Pedimos o favor ao segurança/secretário para sermos atendidos por algum representante da “Câmara”.  Explicámos a nossa aventura, mostrámos a nossa credencial que atesta que somos apoiados pela Fundação Lapa do Lobo, as nossas t-shirts e ainda uma ou outra invenção quanto a países já visitados onde supostamente tínhamos feito o mesmo e falado com altos cargos políticos. Boas desculpas ou não, o segurança lá nos indicou uma pessoa para falar connosco mas nem sequer fomos anunciados. Surpreendida, recebeu-nos a secretária do Gabinete da Comunicação (muito bonita, por sinal), que nos respondeu a algumas das nossas perguntas. Ficámos a saber que esta cidade, com 1.2milhões de habitantes (sensivelmente um décimo da população da República Checa)  pertence a um país onde, segundo ela, não se sentem efeitos acentuados de crise,  diz: <<Aqui não temos o euro, portanto estamos mais à vontade e estabilizados>>. Sobre as finanças, acrescentou ainda que os bancos são os responsáveis pelo financiamento da economia. <<Existiram medidas do mesmo tipo que em Portugal, mas muito menos severas>>, disse.  Quanto ao apoio social, afirma que o governo ajuda bastante quem é afectado pelo desemprego, entre linhas, disse que até <<era demais>>, justificando que há desperdício e abuso por parte da população.  Por sermos jovens,  um tema que não podia deixar de fazer parte das questões é a educação. Nesse âmbito, disse que a escola era dividida em 2 ciclos: o básico (dos 6 aos 14 anos, e o secundário, dos 15 aos 18 anos). As aulas, em média, começam às 8h e acabam às 14h. Quanto ao ensino superior, não existem propinas, apesar de admitir que, em dois anos,  a situação se vai alterar. No que diz respeito à acção social escolar, lá não existem quaisquer apoios monetários, existem sim uma série de descontos na alimentação, transportes,  materiais escolares e alojamento. Na saúde existem as nossas conhecida taxas moderadoras, mas a uma módica quantidade de aproximadamente 1 euro. A organização politica é feita em senado e parlamento, ambos eleitos pelo povo (sobre isto a conversa foi pouca).

Agora aquelas histórias mais divertidas, que dão para conhecer igualmente a cidade… Nas noites em que saíamos à rua, constantemente nos propunham sessões de strip, restaurantes e cervejas. Pelas ruas fora havia dezenas de lojas de vodka e absinto, de marionetes e de bolos tradicionais. Mas uma coisa que sentimos falta foi de mais restaurantes e “barraquinhas” de comida tradicional. Sobre isso, queríamos contar uma pequena aventura… Na primeira noite em Praga, tentámos logo encontrar um restaurante que servisse comida tradicional. É então que nos surge uma cartaz, no Municipal House, em que tínhamos a opção de, por 7 euros,  comer um menu da região. Como o restaurante estava cheio, tivemos de marcar mesa para o dia seguinte. E assim foi. Ás 20h, hora da reserva, sentámo-nos e fomos prontamente atendidos por um empregado, e desde logo, um de nós disse: “Desculpe, nós já sabemos o que queremos, é o menu dos 7 euros ” ao que ele respondeu que esse menu estava na carta que nos tinha entregue.

Nós fomos ver, e realmente lá estava ele – um prato com 2 batatas, ervilhas, cenoura cozida e um bife de galinha. E nós, perante este bom aspeto (ui!), perguntámos ao empregado se trazia tudo incluído nos 7 euros, ao que ele respondeu que não. Ora bolas, então um menu que não tem bebida incluída? Ainda por cima com mau aspeto e com tamanho tão reduzido? Comer algo que eu podia fazer em casa? Não, não era uma boa escolha… Então fomos ver outros pratos, a verdade é que nenhum deles vinha com bebida, o que nos ia ficar perto dos 20 euros cada, então fugimos. Tínhamos reservado mesa, já lá estávamos dentro e sentados, ficámos com vergonha de dizer que já não estávamos interessados porque era demasiado dispendioso. Um pegou nas coisas e desapareceu assim que o empregado virou as costas, o outro  perguntou onde era a casa de banho e, disfarçadamente, fez exatamente o mesmo. Acabámos por ir comer comida tradicional Checa a um restaurante australiano. E a do Tiago até estava boa…

A do Gonçalo é que… tinha um sabor especial.

Durante esta estadia, passámos por vários sitos, todos eles igualmente marcantes pela diversão e partilha: passámos duas noites num motel de uma velhinha que não sabia falar inglês, uma noite num quarto onde partilhávamos uma sala de convívio com mochileiros australianos, canadianos e franceses, e outra num outro hostel onde igualmente partilhámos espaços com jovens Russos, de férias na cidade.

Relativamente a Praga em si, é uma cidade fria mas movimentada e romântica. Tem muitas ruas e chega a ser confusa por isso. Tem imensas torres espalhadas por toda a sua extensão, poucas praças e muitos monumentos antigos. Entre todos os que visitámos, aqui  deixamos os que mais gostámos:

Astronomical Clock (este relógio tem uma forma muito especial de dar horas)

Charles Bridge

Prague Castle

National Museum

Sinagoga Espanhola

Cemitério Judeu e o seu museu

Powder Tower

Praga é uma cidade que se visita bem (pelo menos o mais importante), num fim de semana e com um custo igual ao de umas férias em Portugal.  Será concerteza um bom destino de férias para muitas pessoas. Em tom de curiosidade, dificilmente se encontra algum habitante da região gordo, e todos eles parecem ter um ar “abafado”- nem triste nem contente.

Bem, e com esta conversa toda já passamos a fronteira, neste momento estamos a chegar ao nosso destino. Obrigado pela paciência da leitura e até à vista companheiros!

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8 respostas a Assim foi Praga…

  1. Carlos Torres diz:

    Gosto ar “abafado” das pessoas… Esperem então pela Rússia!
    Mais uma excelente e divertida crónica – o Gonçalo Cadilhe que se cuide, vai ter fortes concorrentes editoriais!
    Um abraço,
    Carlos Torres
    Fundação Lapa do Lobo

  2. Gena Nascimento diz:

    Jungs
    Cronica gut geschrieben, herzlichen Glückwunsch! Weiterhin gut beschreiben die Seiten und dokumentiert sie mit den Fotos, es macht uns glauben, dass wir auch Teil dieses Abenteuers! Küsse

  3. Tiago Vieira diz:

    grande crónica!!
    Tou a gostar de acompanhar, rapazes. Deixam-me sempre com água na boca até à próxima aventura e isso é bom!
    Aquele abraço 🙂

  4. Isabel Azevedo diz:

    Aqui, a Família está orgulhosa por os nossos rapazes continuarem a não defraudar as expectativas neles depositadas.
    Continuamos a ler as vossas crónicas e a sentir que também por aí andamos. Lê-las “minimiza” um pouquinho a saudade que sentimos.
    Não se esqueçam de fixar o restaurante de onde se esquivaram, não queremos correr o risco, de que se um dia aí formos, alguém nos reconheça…
    E cuidado com os “apelos” de terceiros…
    De resto muito bem, continuem a divertir-se e não se esqueçam que nós estamos por aqui à espera da próxima crónica, por isso vivam sempre os momentos e experiências com intensidade.
    Beijos e continuação de boa viagem.

  5. Marisa diz:

    Ola Gonçalo e Tiago. Agora de seguida vão entrar num País disciplinado e fortemente produtivo.
    Será bom ler-vos a relatar o que viram e ouviram sobre a sociedade Alemã – economia, saúde, ensino, artes, lazer etc e não esqueçam: relatem a gastronomia dos Países que visitam ( também faz parte da cultura e tradição dos povos ).
    Abraços e continuação de boa saúde para cumprirem tudo ao que se proposeram.
    João Silva.

  6. Luis Fonseca diz:

    Muito bem Gonçalo e Tiago. Vocês safam-se. Obrigado pelas linhas escritas e bem descritas.
    Continuo a aguardar por mais crónicas……..quando tiverem tempo.
    Abraço e até logo.

  7. Cristina Maria Martins Fonseca Saraiva diz:

    Mais uma vez gostei imenso de ler as vossas aventuras, e sem dúvida a saída estratégica do restaurante foi genial, continuem a descrever tudo o que passam, pois para quem vos segue é muito interessante e aprende-se muita coisa também, eu cá vos continuarei a seguir sempre atenta, beijos aos dois.

  8. Jorge Figueiredo diz:

    Boas
    Depois de ler mais uma crónica, assolam-me à mente duas evidências indesmentíveis: a viagem está a ser tudo menos monótona e estão sorver na plenitude cada um dos momentos e cada uma das peripécias e, por outro lado, as crónicas não defraudam os leitores, em função da escrita escorreita, apelativa e gostosamente real.
    De todas as peripécias relatadas, permito-me evidenciar duas. O improviso da fuga estratégica e o fair play com que “alegadamente” conseguiram escapar à profusa e diversificada oferta de sessões de streap tease.
    Abraços e votos de continuação de boas aventuras.
    Jorge Figueiredo

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