Falar Chinês

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6 meses a aprender com o mundo

6 meses, 1 semana e 1 dia, foi este o tempo que estivemos afastados de Portugal. Agora que acaba, nem acreditamos. É uma mistura de nostalgia com saudade inexplicável. Passámos por tantas situações, vivemos tantas experiências, crescemos tanto e aprendemos ainda mais. Foi fantástico. Único. Maravilhoso. Sentimo-nos os mesmos, mas diferentes.

Andámos pelo mundo a absorver tudo o que ele nos tinha para ofertar. No total foram 25 países e de cada um deles retivemos algo diferente: da República Checa a beleza de Praga, da Alemanha o rigor e a guerra, da Dinamarca a riqueza, da Suécia a qualidade de vida, da Noruega os fiordes e os valores humanos, da Estónia o medieval, da Finlândia o aborrecimento, da Rússia o frio e a opressão, da Ucrânia a surpresa, da Moldávia o nada, da Roménia a revolução, da Bulgária as religiões, da Turquia os bazares e as mesquitas, da Índia o choque, do Nepal as crianças órfãs, da China os chineses, do Vietname a guerra, do Camboja o massacre, da Tailândia o Songkran, da Malásia Malaca, de Singapura o desenvolvimento, da Indonésia Bali, de Timor a luta e Portugal, da Austrália o deserto vermelho e as suas montanhas, da Nova Zelândia a calma da natureza.
Durante este périplo pelo mundo fizemos um pouco de tudo: jornalismo, agricultura, política, lecionámos, brincámos, bebemos, divertimo-nos, fizemos asneiras, ilicitudes, amigos, aventurámo-nos, mas sempre com a responsabilidade devida. E foi assim que crescemos. Aprendemos a estar longe de casa, a relativizar problemas a ultrapassar barreiras rapidamente, melhorámos o inglês, gerimos tempo e emoções, aceitámos a diferença e vivemos com ela, vivemos em condições adversas, enfim, fica uma viagem para a vida.

Havia tanta coisa para falar, tanta coisa para contar, mas a verdade é que quando se está a acabar um ano desta dimensão, não se consegue fazer um bom resumo.

Mas a viagem não foi só feita por nós, acreditem que vocês foram os nossos melhores companheiros. E é a vocês que pedimos desculpa por qualquer coisa e que agradecemos todo o apoio, elogios e criticas que foram fazendo à nossa viagem, foi ótimo poder viajar convosco! Sendo assim, cabe-vos a vocês acabar de escrever esta crónica através dos vossos comentários. Convidamos assim todas as pessoas que leram as nossas crónicas a deixarem um comentário, por mais curto que seja (afinal foram eles que nos deram a força para continuar…).

E claro, não podemos deixar de agradecer à Fundação Lapa do Lobo – a grande “responsável” por tudo o que acabámos de descrever e viver!

Contudo, depois de passarmos por todos estes países, podem ter a certeza que continuamos a preferir o 26º, PORTUGAL. Foi aqui que vivemos a maior parte do tempo, que recebemos a nossa educação e é aqui também que está a nossa família e amigos. É este o país que amamos. E esta crise que encontramos à nossa chegada, é uma fase que tem de ser ultrapassada com coragem e determinação, já passámos por tantas fases semelhantes. Força!

Caros amigos, foi um prazer viajar convosco!

Até sempre, companheiros!

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Austrália, um país com outra natureza

Passámos 8 dias na Austrália, divididos por duas regiões completamente opostas. A primeira paragem foi Alice Springs, no coração do país. Foi ainda no ar, dentro avião, que nos apercebemos que esta cidade se encontrava delimitada por montanhas que por sua vez emergiam no meio de um deserto de gigantesco.

Pequena, baixa, plana e cuidada, esta cidade que cresceu por ter sido uma base militar durante a segunda guerra mundial, é bem diferente das que temos vindo a visitar. Por lá aconselharam-nos a dar uma volta e a ver o pôr do sol e que não regressássemos tarde porque a cidade era perigosa (aviso este que até à data ainda não tínhamos recebido). Fizemos tudo num dia.

De seguida, partimos em busca da natureza pura. Para isso juntámo-nos a um grupo de 16 pessoas, entre as quais constava um guia/cozinheiro/condutor – o Ben. Por uma feliz coincidência, entre eles encontrámos também um casal português – a Eva e o Jaime – com quem partilhámos bons momentos ao longo desta viagem. Durante os mais de 1000km percorridos, fomos vendo cangurus, camelos, águias, abutres, pássaros e passarinhos, dingos, gatos e raposas, tudo livre e selvagem. No primeiro dia subimos ao Kings Canyon e dormimos debaixo do céu estrelado do hemisfério sul. No segundo dia, andámos em torno do Kata Tjuta e do Uluru a ouvir histórias e costumes da cultura aborígene, residente na zona. No terceiro dia subimos ao Uluru e regressámos a casa.

A aventura no meio disto tudo esteve em dormir ao relento, comer comida preparada numa carrinha improvisada e com pratos apenas passados por água e no final ainda pagar bem por isso.

Depois de todos estes dias cansativos, apanhámos mais um voo, desta vez para Sidney, uma das cidades mais famosas do mundo. Em Sidney, fizemos tudo o que um turista normal faria: vimos a opera house, o jardim botânico, deslumbrámos a marinha e os seus portos magníficos, perdemo-nos pelo meio de prédios, subimos uma parte da Harbour bridge. Enfim, tudo o que nos foi necessário fazer para passar a adorar a cidade!

E foi neste país, 4 meses depois de sairmos da Europa que voltámos ao sistema da Sandwich, isto é, o sistema em que compramos o pão, o presunto e as batatas fritas e assim temos o nosso almoço económico. Não queremos, com isto destruir nenhum sonho, mas a Austrália é CARÍSSIMA! Ao ponto de nos ser mais barato viajar de avião do que de autocarro, ou de se pagar 4 dólares por uma Coca-Cola no supermercado, ou 10 por uma cerveja…

E cá estamos nós, a acabar de escrever a penúltima crónica no aeroporto de Sidney, onde vamos passar a noite porque amanhã temos um voo bem cedinho, para a NOVA ZELÂNDIA. Este 25º país, que não estava programado, vai ser palco para mais um encontro com o Dr. Carlos Torres, Presidente da Fundação Lapa do Lobo, a quem agradecemos este fantástico convite. Esta é que é a verdadeira cereja no topo do bolo!

See you later, body!

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Do outro lado do mundo, com os nossos irmãos

O entusiasmo e a expetativa que tínhamos em relação às nossas duas semanas em Timor era muito grande, mesmo assim podemos dizer que a realidade superou o que esperávamos.

Assim que chegámos a Díli – a capital timorense – apanhámos uma biscota (nome do mini-bus local) com destino a Baucau, onde chegámos passadas 5 horas de saltos, buracos e socalcos constantes, uma animação. Entretanto lá fomos tentando falar com os locais, o que se revelou muito difícil visto que poucos falavam português. Chamavam-nos malai, o que viemos a descobrir que significa estrangeiro em tétum, a língua oficial de Timor a par do português.

Quando chegámos àquela cidade, a segunda mais populada do país, já nos esperavam o André e o Fernando, dois portugueses de Macau que, juntamente com outros 3 macaenses (que já não se encontram no país), construíram uma associação de agricultura – naTerra – com preocupações sociais. Assim, o seu objetivo é ensinar e demonstrar que boas práticas agrícolas podem levar a uma melhoraria da qualidade de vida daquelas pessoas, que muitas vezes se encontram subnutridas.

E foi neste mundo, em que “sustentável” é a palavra de ordem, que vivemos durante os 10 dias que estivemos em trabalho de voluntariado. De manhã, acordávamos e comíamos iogurte natural produzido diariamente lá em casa através da fermentação do leite pelo kefir, comíamos fruta muitas vezes apanhada no “nosso” quintal, pão acabado de fazer pelo vizinho da frente, acompanhado por uma compota regional. Só pecávamos com a manteiga uma vez que era importada da Austrália. Os almoços e os jantares eram alternados entre restaurante locais, restaurantes portugueses e refeições caseiras, mas os produtos produzidos localmente continuavam a não faltar. Lá em casa ainda não existia água canalizada e toda a água que consumíamos, mesmo para beber, era pluvial. Até o lixo orgânico que produzíamos era aproveitado para a compostagem que era feita quer através do método tradicional quer através do uso de minhocas (vermocompostagem).

O nosso trabalho integrava-se na produção e manutenção dos espaços agrícolas -  como quem diz, sujar as mãos na terra. Fizemos de tudo: arrancámos ervas daninhas, plantámos plantas, preparámos estrumes naturais, arranjámos caminhos e cursos de água, cuidamos de galinhas e coelhos e das suas “casas”, podámos árvores e regámos. Fartámo-nos de aprender!

Entre os dias de trabalho, também havia lugar ao convívio e à descontração, o que, segundo os nossos compatriotas, é algo muito usual entre os muitos voluntários das várias nacionalidades a operar em Timor. Muitos destes representam as Nações Unidas que estão no país há dez anos e que têm como objetivo trazer a paz e a estabilidade a um país que comemora agora 10 anos de independência. Estabilidade essa que é posta agora em causa com as eleições legislativas que se aproximam, mas que se correrem como as presidenciais, serão mais uma vitória para este povo tão sofredor. As Nações Unidas começam a sair gradualmente do país no final do corrente ano civil.

Assim passaram 10 dias muito diferentes do costume, onde aprendemos coisas que não nos passavam pela cabeça aprender em Timor, a diversidade de experiências deste Gap Year não pára de aumentar…

Mas era tempo de regressar a Díli. Para isso, apanhámos boleia com o Jaco que trabalha na agência para o desenvolvimento agrícola das Nações Unidas, assim sempre fizemos uma viagem bem mais calminha do que a anterior… Na capital, já nos aguardava um projeto igualmente super interessante, o MOVE Timor. Este projeto, com origem na Universidade Católica de Lisboa e já dispersa por diferentes países africanos, trabalha essencialmente com microcrédito (apesar de em Timor ainda se estarem a dar os primeiros passos). Nesse sentido, esta equipa formada por 5 jovens – Mariana, Mário, Francisco, Pedro e Hugo – está a lecionar empreendorismo na universidade pública de Díli e a apoiar diversas empresas e cooperativas. Tudo para que as pessoas comecem a ganhar espírito empreendedor, fortalecendo assim a cidade e o país onde a grande parte dos investimentos ainda vem de fora.

Depois de assistirmos a uma aula desta cadeira, tivemos ainda tempo para explorar a cidade onde nos foi mostrado o mercado de thais (têxteis tradicionais), o mercado da cidade e as principais ruas e edifícios da zona. No final do dia fomos ainda jogar futsal, juntamente com outros portugueses e timorenses, um momento muito agradável pelo seu espírito de diversão conjunta e amigável. Mas perdemos, e por várias vezes, contra a seleção timorense de futsal que se juntou a nós para treinar. No dia seguinte de manhã, fomos fazer snorkeling (mergulho sem o auxílio de botijas de ar) algo que dificilmente iremos esquecer pela diversidade e beleza de corais e peixes que forram e animam o fundo do mar e que tivemos a oportunidade de admirar. Segundo muitos, dos mais ricos do mundo… Depois chegámos a casa onde já se começavam a acender as primeiras brasas para o churrasco organizado para juntar amigos, maioritariamente portugueses. Quem não ficou indiferente a esta festa foram as crianças do bairro, que mal souberam da “churrascada” em casa dos malai, foram logo tomar banho e vestir roupa lavada para que estivessem bonitos para a festa. Todo essa preocupação foi esquecida quando chegou a altura de comer – era ver pratos cheios de carne, garrafas de coca-cola e batatas fritas a desaparecer em segundos, o que nos parece perfeitamente compreensível tendo em conta a pobreza da alimentação de muitas pessoas neste país.

A festa ia seguindo pela noite dentro com direito a entrecosto, chouriço, vinho e mesmo queijo português, uma relíquia para quem já está há tanto tempo longe de casa. No final, fomos à festa de despedida do contingente da G.N.R. que rende a guarda ao próximo que chega no decorrer da próxima semana. Finalmente, e depois de chegarmos a casa e fazermos a mochila, ainda tivemos tempo de dormir meia hora antes de nos levantarmos hoje de madrugada para nos deslocarmos para a Austrália, de onde vos escrevemos.

De Timor, na nossa memória, fica um pequeno país irmão, com pessoas atenciosas, amigas e simpáticas. Mas principalmente a ideia de um país que preserva uma série de valores extremamente puros cujo tempo e a história ainda não levou. Um país muito virgem, sobretudo…

Para finalizar, fica o agradecimento aos “tugas” que nos abraçaram em suas casas com a boa hospitalidade e arte de bem receber que tão bem caracteriza o povo português.

Até logo, colega!

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Indonésia, as ilhas das maravilhas

Chegámos a Yogyakarta e a primeira impressão que tivemos não podia ser melhor: o aeroporto da cidade era envolvido por um clima e cenário exótico que misturava o verde das árvores com o laranja da terra, com um toque citadino de casas, pequenas e precárias, que se amontoavam umas nas outras.

Incluímos esta cidade na nossa passagem pela Indonésia por nesta ainda se poder encontrar a essência do país sem ser influenciada pelo turismo. Por isso mesmo, calçámos as sapatilhas e lá fomos nós entranharmo-nos na cidade. Percorremos mercados, lojas e ruas, falámos com pessoas e tirámos centenas de fotografias. No final do dia comemos (mais uma vez) os tradicionais noodles, à beira da estrada, e voltámos ao hostel. No dia seguinte, e depois de uma viagem de 13h, numa carrinha com um ar condicionado de potência questionável, chegámos a Bromo.

Nesta pequena vila, à qual chegámos já de noite, existiam poucos hotéis e todos eles se encontravam cheios. Sendo assim, juntamente com dois franceses e dois holandeses, partimos à procura de uma casa para alugar. Encontrámos, jantámos e passado 6 horas (4 da manhã) já estávamos a acordar e a partir, uma vez mais em grupo, numa caminhada de uma hora e meia em direção ao miradouro da montanha. De lá vimos o nascer do sol e o arrastar do nevoeiro de onde emergiam os cones vulcânicos. Ainda durante essa manhã fomos espreitar as respectivas crateras vulcânica. E, depois do merecido pequeno-almoço, arrancámos para o próximo vulcão – Igen. Durante a viagem conhecemos o Evandro e a Fernanda, dois brasileiros que nos acompanharam até Bali e com os quais nos divertimos a explorar as divergências linguísticas dos dois países, a discutir o acordo ortográfico e a falar de samba e tradições.

No dia seguinte de manhã a história repetia-se e às 5 da manhã já estávamos os quatro a subir a encosta vulcânica. Aquele vulcão já não era meramente turístico, era sim um local de exploração de enxofre com uma história quotidiana por trás: todos os dias, dezenas de trabalhadores subiam o cone vulcânico, desciam à cratera, apanhavam enxofre, carregavam esses 50kg às costas até ao topo da cratera, desciam o vulcão e por fim repetiam o processo. Tudo isto mergulhados num clima tóxico e danoso, por caminhos perigosos e atribulados. Dizem que “aqueles trabalhadores não envelhecem, simplesmente morrem por fazer aquilo diariamente”. Acreditem que, a nós, que íamos sem peso às costas, nos custou imenso a fazer o percurso uma vez, nem sequer dá para imaginar o esforço que aqueles homens fazem para levar o “pão para casa”.

Finalmente, depois de dois dias tão cansativos, nada podia ser melhor do que a próxima paragem, Bali! Esta ilha tinha tudo que era preciso para descansar e passar mais umas boas férias – praia, sol e atividade noturna. Foi o que fizemos e até surfámos (neste paraíso do surf mundial) e, modéstia à parte, ficámos uns profissionais, mas as ondas eram pequeninas e não deu para fazer os truques mais elaborados, uma pena… Jantámos sempre no mesmo sítio – Sky Garden. Nós, o nosso amigo espanhol (ou basco, como ele preferia dizer) com quem andámos sempre, e uma grande parte dos turistas que estavam naquela zona da Kuta Beach, pois era de borla! Difícil de acreditar, então nós desenvolvemos: bebíamos e comíamos o que queríamos das 21h às 22h e não pagávamos nada por isso, nem à entrada nem à saída – o famoso “almoço grátis” – grandes noites…

Mas claro que não podíamos deixar de ir conhecer, também aqui, o interior da ilha onde nos perdemos pelo meio dos campos de cereais e da população.

Resumindo, fomos muito bem recebidos na Indonésia. As pessoas foram sempre atenciosas e simpáticas, oferecendo toda a sua cultura a quem a quisesse penetrar com os olhos de quem gosta da diferença. A Indonésia, para nós, foi uma grande surpresa e sem dúvida um dos pontos altos desta viagem que se encontra na sua reta final.

Temos saudades de Portugal!

Selamat tinggal, teman!

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Os gaps foram surfar!

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Malásia e Singapura – o regresso à civilização

Ao final de 32 horas de viagem, a mais longa até à data, chegámos a Kuala Lumpur, a capital da Malásia. Por não sabermos ao certo quando íamos chegar à cidade, não reservámos nenhum quarto e tivemos de nos “colar” a uma ABC (American Born Chinese, tal como a própria se apresentou), muito simpática, por sinal. Foi com a mesma que nos dirigimos, a pé, em direção ao hostel, percurso durante o qual nos fomos apercebendo da diversidade cultural existente, figurada quer no rosto das pessoas (malaios, indianos e chineses), quer nos edifícios e ruas. Depois de atravessarmos toda a Chinatown, chegámos ao hostel.

Passámos mais um dia na cidade, por onde andámos a divagar entre estradas, edifícios, parques, fontes, museus e mesquitas. Nesta cidade vimos ainda as maiores torres gémeas do mundo – as “Petronas”. Regressámos ao hostel com a imagem de uma cidade influenciada pela religião muçulmana, a religião mor do país.

Ao terceiro dia, deixámos então aquela cidade com rumo a Malaca, uma ex-colónia portuguesa (apenas 2 horas de viagem, como quem vai a Vila Meã, ali logo ao lado).

Naquela cidade simpática, onde passámos dois dias, sentimo-nos, mais uma vez, “todos vaidosos”. Os portugueses chegaram a Malaca em 1511 e deixaram muitas marcas por toda a cidade, durante os 130 anos que lá permaneceram.

Mas Malaca foi igualmente inglesa, holandesa e japonesa. Mas foi atrás das pegadas portuguesas que andámos a marcar as nossas:

fomos a igrejas, visitámos uma réplica de uma nau portuguesa, ruínas de um forte, uma região de Malaca chamada Portuguese Settlement (colonização portuguesa), onde ainda vivem os descendentes dos navegadores dos descobrimentos que ficaram na Malásia depois da retirada de Portugal (em 1641), e mesmo pessoas, mais propriamente o Sr. Jorge Alcântara.

Este senhor conversou connosco usando o português que aprendeu com os pais (e que poucos praticam), mostrando-nos que, apesar da distância (do tempo e do espaço) se mantêm algumas tradições. Tanto que nos cantou excertos da música do “Malhão” e do “Bailinho da Madeira”, falou-nos das festas dos Santos Populares e danças típicas portuguesas. Curiosamente, ficámos a saber que algumas palavras do malaio tê^­m raízes portuguesas, como “soldadu”, “sepatu” e “mantega”. Seguidamente, o Sr. Jorge mostrou-nos alguns livros de registos que tem com dedicatórias escritas em português, que recolheu de pessoas que iam àquele zona almoçar ao “restaurante Lisboa”, do qual ele é dono. Vimos mensagens escritas por portugueses, brasileiros, timorenses, macaenses… e que tinham mais anos do que nós, e foi depois de lermos algumas que escrevemos a nossa. Fomos jantar ao mesmo restaurante, mas infelizmente não serviam cozido à portuguesa, então ficámo-nos por um frango de fricassé (devidamente adaptado ao paladar local)- nada mau para matar saudades. Veja excertos da entrevista no seguinte vídeo.

Concluída a nossa missão na Malásia, zarpámos para Singapura, o nosso 21º país. E aí começa a aventura que vos prometemos contar, cá vai: quando estávamos a atravessar a fronteira e prestes a entrar no país, o raio-x de controlo denunciou algo, razão pela qual me pediram (Tiago) que abrisse a mochila. Perguntaram-me então se transportava algo que não tivesse sido declarado, como cigarros, ao qual eu respondi negativamente. Qual não foi o meu espanto quando me disseram que estava a transportar algo estritamente proibido no país: uma bala.

E sim, estava mesmo lá. Uma bala com 9.5 de calibre e 9cm de comprimento.
Recuemos uns países atrás até aos Killing Fields, Camboja, lembram-se? Foi lá que, surpreendentemente, me deparei com uma bala no chão, toda suja de terra e com aspeto velho. Pego, olho, comento com o Gonçalo e, com a felicidade de quem acabou de encontrar um souvenir bastante incomum, coloco-a na mochila e continuo a visita aos campos. Na Tailândia, alguns dias depois, vejo-a no bolso da mochila e, já sem me lembrar que a tinha guardado, passo-a por água para tirar a sujidade e coloco-a junto com as outras pequenas recordações que tenho comprado/ trazido de cada país. Passei duas fronteiras sem ter sido “detetado”, mas a terceira foi de vez. Estupidamente, nunca me lembrei que aquilo pudesse criar algum problema, era tão velha e sem arma a bala não serviria de nada. Fui então levado para uma sala com alguns policiais, fui interrogado, levaram-me para outra sala, quiseram saber todos os pormenores, tive de assinar papeis, tirar impressões digitais, mostrar fotografias do sítio onde a encontrei, levaram-me para outro piso, fui de novo interrogado, perguntaram-me se tinha intenções terroristas e quiseram saber a história toda de novo. Registaram o percurso todo de viagem e as datas em que permaneci no Camboja. Vi na mesa já um arquivo com fotocópia do passaporte, de vistos, uma foto ampliada da bala, as minhas declarações todas por escrito, parecia um verdadeiro criminoso. No final de cerca de duas horas, deixaram-me sair, mas ficaram-me com o passaporte para garantir que não saía do país enquanto continuavam a investigação. Que grande susto…

E eu (Gonçalo) lá estava: sentadinho na sala de espera, onde me serviram café e me ofereceram biscoitos e rebuçados. Falaram comigo sobre tudo para que não me aborrecesse e deixaram-me inclusive trabalhar no computador, eu cá só me ria…

Quando tudo acabou, o autocarro, obviamente, já tinha seguido sem nós, e por isso tivemos de comprar outro bilhete para a Little India, a zona onde íamos ficar alojados. No dia seguinte de manhã fomos conhecer Singapura.

Neste dia, resolvemos não usar transportes públicos, queríamos chegar ao centro da cidade a pé, e não foi assim tão difícil. Desde cedo nos apercebemos da perfeita consonância existente entre o desenvolvimento em massa e a natureza que a cidade ostentava , os arranha céus e estradas estavam em perfeita harmonia com as árvores e os relvados. Tudo magnificamente limpo – resultado da enorme preocupação de limpeza daquele país, onde é proibido até mascar pastilhas elásticas.

Quando chegámos à baixa da cidade, tudo aquilo nos pareceu um autêntico museu de arquitetura, mas à escala real. Contornes, formas, tamanhos, estilos, todos os edifícios tinham a sua particularidade e a sua assinatura única naquele estupendo panorama. À noite, a cidade ganhava outra vida e mostrava a sua outra face iluminada, igualmente maravilhosa. Sempre cosmopolita e movimentada, as palavras que descrevem o país.

Em termos de qualidade vida, pareceu-nos excecional. É segura, a média de ordenados é alta, a taxa de desemprego baixa, com muitas oportunidades e coisas para fazer – pareceu-nos uma ótima cidade para se viver. Mas atenção, para nós portugueses (e para a maioria dos países europeus), o custo de umas “férias” na cidade é bem elevado…

Por tudo isto, adorámos Singapura!

Selamat tinggal, kawan!

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